domingo, 21 de fevereiro de 2010

Morreu a música...

Música foi pra onde?
Pulou bastante o carnaval?
Sonorizou o bacanal?
Se escondeu num manguezal...

Contaminada vem voltando.
Está doente minha música, não é mais assim tão pura.
E desespero pela cura.
Mas disseram-me não haver remédio,
e que a música vai mesmo morrer de tédio.
Por favor, chamem um médico!

Preciso mesmo gritar?
Música tá morrendo... E é de tanto se escutar!

Acalma-te minha amada,
isso que ouves não é zoada.
Ambulância está a caminho, a sirene denuncia.
Vem vindo aí um passarinho para findar tua agonia.

Seu doutor, em boa hora chegastes.
Faça o favor, a esperança,
de me dizer que música ainda hoje se levanta.
Que ela mal respira,
mas vai já ali comigo tomar uma birra.

Eu sinto muito, moça!
Sua amiga música já passou pra outra.
Pandemia foi contida, mas música igual ou parecida,
nunca mais vai ser ouvida.

Mas doutor, meu mundo agora desmantelou.
Acabou-se a massagem dos ouvidos, o passeio da imaginação,
acabou até a cura dos feridos e o sentido da paixão.

Beberei a morte de quem me acalentou.
Tanto cantou e me ninou.
Esperar que a ária de novo se faça,
para trazer de volta a graça.
Aos palcos, bailes e muitos bares que reuniram um dia
A melodia em garrafas e em som de alegria.

E o silêncio é o meu copo oco.
Enxergo o fundo do futuro incerto,
de mais uma noite de dor e torpor.
Garçom, traga mais uma, por favor!

(Danielly Melo)

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