Pessoas do mar.
Amam a inconstância da maré,
O gosto salgado da água,
A vida cigana das ondas.
Pessoas do mar.
Odeiam a vida sólida das areias,
A concretute das rochas,
Os segredos das conchas.
Pessoas do mar.
Peixes vivem bem sem ar.
Desce a espinha a cortar,
A voz rouca que precisa calar.
Pessoas do mar... Gente para não se amar.
(Danielly Melo)
sábado, 29 de maio de 2010
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Mar, salgado mar...
“Não vá ainda, não... Espera anoitecer”
Deixa ao menos eu adormecer
Saia na calada. Deixe-me sonhar e achar
Que ao dormir alguém vai me acordar
Eu sei bem onde isso vai parar
Você vai voltar pro mar
Ele é a criança do sonhador, do pescador
Balança para lhe fazer ninar
E vai lhe colocar para dormir, pescar, nadar
E quando seus olhos abrir
De água vai se encharcar
Mas eu, “eu sou a chuva pra você secar”
Mesmo sabendo que você prefere a água salgada do mar.
(Danielly Melo)
Deixa ao menos eu adormecer
Saia na calada. Deixe-me sonhar e achar
Que ao dormir alguém vai me acordar
Eu sei bem onde isso vai parar
Você vai voltar pro mar
Ele é a criança do sonhador, do pescador
Balança para lhe fazer ninar
E vai lhe colocar para dormir, pescar, nadar
E quando seus olhos abrir
De água vai se encharcar
Mas eu, “eu sou a chuva pra você secar”
Mesmo sabendo que você prefere a água salgada do mar.
(Danielly Melo)
Aos Anjos, com carinho
Ah, se eu pudesse...
Uma vez na vida retornar
Ganhar o futuro e o passado bucolizar
Única certeza teria, de que estaria
Sem dúvidas ao lado de Anjos
Tocar suas asas cósmicas e de seus olhos arrancar
Os vermes que o querem roer e carbonizar
Distâncias que nos tentam afastar
Oh, maldito zodíaco que insiste em chacotear
Sua trajetória pálida e tão digna aqui na Terra
A mesma terra orgânica e fria que o conserva
Num chão sedento de larvas e poesias, lá onde
Jaz o Anjo torto, o bicho morto que um dia
Ostentou ciência, sabedoria, quimera
Sabedor da lama que estava à sua espera!
(Danielly Melo)
Uma vez na vida retornar
Ganhar o futuro e o passado bucolizar
Única certeza teria, de que estaria
Sem dúvidas ao lado de Anjos
Tocar suas asas cósmicas e de seus olhos arrancar
Os vermes que o querem roer e carbonizar
Distâncias que nos tentam afastar
Oh, maldito zodíaco que insiste em chacotear
Sua trajetória pálida e tão digna aqui na Terra
A mesma terra orgânica e fria que o conserva
Num chão sedento de larvas e poesias, lá onde
Jaz o Anjo torto, o bicho morto que um dia
Ostentou ciência, sabedoria, quimera
Sabedor da lama que estava à sua espera!
(Danielly Melo)
quinta-feira, 13 de maio de 2010
terça-feira, 4 de maio de 2010
A mão invisível
O que é pior? Acreditar na mão invisível do liberalismo econômico ou sair por aí tentando convencer as pessoas de que, segundo o falecido e, portanto, invisível George Carlin:
"There's an invisible man living in the sky who watches everything you do, every minute of every day. And the invisible man has a special list of ten things he does not want you to do. And if you do any of these ten things, he has a special place, full of fire and smoke and burning and torture and anguish, where he will send you to live and suffer and burn and choke and scream and cry forever and ever 'til the end of time! But He loves you"
Uau! E aí? E olhe que eu nem sei se fiz mesmo a pergunta certa. Talvez o termo correto nem fosse “pior”. Poderia usar “cômico”, mas isso ainda sem descartar o “trágico”. E trágico mesmo é o fim de quem acredita. ACREDITAR. Segundo o Aurélio, ter fé, crer em alguma coisa. Pra mim, cegar-se de certezas. Exatamente aquelas mais desconhecidas. São estas mesmas, estas que você não pode ver ou tocar. Estas são as certezas de um cego que acredita.
Feche os olhos. O que vê? Nada? Escuro? Defina. Vamos, tente... Impossível.
Nasce aí o verbo. O verbo acreditar, que na gigantesca história da humanidade se resume a um monossílabo de forças descomunais. Uns dizem que ele move montanhas. Outros que sem ele nada é possível. Há quem diga que o bicho causa cegueira, ou mesmo alienação. O monossílabo até guerra causa e é o único que no fim dela acredita. É aquele que é bom se ter guardado numa caixinha de cacarecos, sempre atrás do armário.
Duas letrinhas que mesmo no alfabeto vêem lado a lado. Como se não existisse razão de ser se vivessem cada um no seu quadrado. O “fê” e o “ê”. Aqui no Nordeste: o “éfe” e o “é”. Importa mesmo é o estrondo que a bomba faz quando colocamos o número 3 dando as costas para quem vem antes do ponto, ou melhor, da letra G: FÉ!
Fé em que?
Fé na vida!
(Danielly Melo)
"There's an invisible man living in the sky who watches everything you do, every minute of every day. And the invisible man has a special list of ten things he does not want you to do. And if you do any of these ten things, he has a special place, full of fire and smoke and burning and torture and anguish, where he will send you to live and suffer and burn and choke and scream and cry forever and ever 'til the end of time! But He loves you"
Uau! E aí? E olhe que eu nem sei se fiz mesmo a pergunta certa. Talvez o termo correto nem fosse “pior”. Poderia usar “cômico”, mas isso ainda sem descartar o “trágico”. E trágico mesmo é o fim de quem acredita. ACREDITAR. Segundo o Aurélio, ter fé, crer em alguma coisa. Pra mim, cegar-se de certezas. Exatamente aquelas mais desconhecidas. São estas mesmas, estas que você não pode ver ou tocar. Estas são as certezas de um cego que acredita.
Feche os olhos. O que vê? Nada? Escuro? Defina. Vamos, tente... Impossível.
Nasce aí o verbo. O verbo acreditar, que na gigantesca história da humanidade se resume a um monossílabo de forças descomunais. Uns dizem que ele move montanhas. Outros que sem ele nada é possível. Há quem diga que o bicho causa cegueira, ou mesmo alienação. O monossílabo até guerra causa e é o único que no fim dela acredita. É aquele que é bom se ter guardado numa caixinha de cacarecos, sempre atrás do armário.
Duas letrinhas que mesmo no alfabeto vêem lado a lado. Como se não existisse razão de ser se vivessem cada um no seu quadrado. O “fê” e o “ê”. Aqui no Nordeste: o “éfe” e o “é”. Importa mesmo é o estrondo que a bomba faz quando colocamos o número 3 dando as costas para quem vem antes do ponto, ou melhor, da letra G: FÉ!
Fé em que?
Fé na vida!
(Danielly Melo)
sábado, 1 de maio de 2010
O Meu Nirvana - Augusto dos Anjos

No alheamento da obscura forma humana,
De que, pensando, me desencarcero,
Foi que eu, num grito de emoção, sincero
Encontrei, afinal, o meu Nirvana!
Nessa manumissão schopenhauereana,
Onde a Vida do humano aspecto fero
Se desarraiga, eu, feito força, impero
Na imanência da Idéia Soberana!
Destruída a sensação que oriunda fora
Do tato - ínfima antena aferidora
Destas tegumentárias mãos plebéias -
Gozo o prazer, que os anos não carcomem,
De haver trocando a minha forma de homem
Pela imortalidade das Idéias!
And isn't it ironic, don't you think?
E na Rua Escura, ali na praça, no bar do Estrangeiro
Vi uns olhos negros e um sorriso belo cheio de graça
Vi a mocidade, vi papo vai, papo vem
Vi-me de imediato num tal de querer bem
Afinidade de longe, rápida e cruel
Que trouxe a ilusão de colocar Lil’Devil uma vez no céu
Mas o “céu está caindo, o céu está caindo”
Disse o Chicken Little certa vez
Desmoronou mesmo ali, na praça
E deu vontade de fazer pirraça com a própria desgraça
Mas aborrecimento foi contido e cinismo nem surpreso estava
Fez cara de mesmice, achando tudo uma chatice
Saiu, pisava forte, fugiu da praça
Mas that black eyes ainda fitavam
Impediram a fuga e para a praça retornaram
Estavam agora sentados e, de novo no papo vai, papo vem
Os olhos se encontraram tentavam e tentavam
Mas não se decifravam. Liam-se, confundiam-se
E se o sorriso não mais aparecia, os olhos negros eram globos letais
Não se apertavam, tinham forma assustada demais
E, sem roupa, se justificavam e juravam ser reais
A chuva precipitou e da praça os afastou
Decidiram pôr distância na vontade que trazia ânsia
A mesma que uma vez escapou “da boca de um cardíaco”
A mesma que traria, quem sabe, a “repugnância”
E Lil’Devil percebeu que não adiantava
Que seu pedido o garçom nunca acertava
“10.000 colheres quando tudo que você precisa é uma faca”
Uma faca pra rasgar o trevo, perfurar o nervo
Cortado o pulso que já não pulsa
Resta ao verme o trabalho de roer os olhos,
Sim, aqueles olhos negros!
Verme vai comer, roer e vai deixar só os cabelos
E a diaba que sonhou com Anjos vai acordar do pesadelo
E assistir à própria quimera, mas ela?
Ah... Ela já é acostumada à lama que sempre a espera.
Pois o Augusto que ela queria mora longe
É de terra arredia. Mora sozinho numa a casa
Muito engraçada, sem teto, sem nada
Serve ela de abrigo fúnebre desses versos iludidos
Guarda ela os segredos, “os versos íntimos”, “os tempos idos”
Essa casa keeps everything
Guarda tudo isso que é muito ironic, don’t you think?
(Danielly Melo)
Vi uns olhos negros e um sorriso belo cheio de graça
Vi a mocidade, vi papo vai, papo vem
Vi-me de imediato num tal de querer bem
Afinidade de longe, rápida e cruel
Que trouxe a ilusão de colocar Lil’Devil uma vez no céu
Mas o “céu está caindo, o céu está caindo”
Disse o Chicken Little certa vez
Desmoronou mesmo ali, na praça
E deu vontade de fazer pirraça com a própria desgraça
Mas aborrecimento foi contido e cinismo nem surpreso estava
Fez cara de mesmice, achando tudo uma chatice
Saiu, pisava forte, fugiu da praça
Mas that black eyes ainda fitavam
Impediram a fuga e para a praça retornaram
Estavam agora sentados e, de novo no papo vai, papo vem
Os olhos se encontraram tentavam e tentavam
Mas não se decifravam. Liam-se, confundiam-se
E se o sorriso não mais aparecia, os olhos negros eram globos letais
Não se apertavam, tinham forma assustada demais
E, sem roupa, se justificavam e juravam ser reais
A chuva precipitou e da praça os afastou
Decidiram pôr distância na vontade que trazia ânsia
A mesma que uma vez escapou “da boca de um cardíaco”
A mesma que traria, quem sabe, a “repugnância”
E Lil’Devil percebeu que não adiantava
Que seu pedido o garçom nunca acertava
“10.000 colheres quando tudo que você precisa é uma faca”
Uma faca pra rasgar o trevo, perfurar o nervo
Cortado o pulso que já não pulsa
Resta ao verme o trabalho de roer os olhos,
Sim, aqueles olhos negros!
Verme vai comer, roer e vai deixar só os cabelos
E a diaba que sonhou com Anjos vai acordar do pesadelo
E assistir à própria quimera, mas ela?
Ah... Ela já é acostumada à lama que sempre a espera.
Pois o Augusto que ela queria mora longe
É de terra arredia. Mora sozinho numa a casa
Muito engraçada, sem teto, sem nada
Serve ela de abrigo fúnebre desses versos iludidos
Guarda ela os segredos, “os versos íntimos”, “os tempos idos”
Essa casa keeps everything
Guarda tudo isso que é muito ironic, don’t you think?
(Danielly Melo)
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