E a vida cutuca, labuta
Assobia os últimos alentos
Capenga se deita, descansa
Já não ouve, não fala, não vê
Reagir já não pode e, ao meu ver,
Deitada no leito, ela apenas dorme
Puxa o ar sem pressa, com força
E toda vez que inspira assusta
E quando expira alivia a luta
O ar que vai e não sabe se volta
Traz aos espectadores a revolta
De nada poder fazer ao certo
Somente assistir ao seu rosto
Pintar-se lentamente de amarelo
E aos poucos sopros se vai à sorte
Vai Laurita, abraços à Tieta!
Vai no leito, a dor no peito
Vai a boneca, os cabelos, os dedos
Vai mais essa avó para o colo da morte.
E à morte eu imploro
Que dela cuide, nine e alimente
Dê outra história a esse pulmão doente
Agradeço a ela e ao acaso da vida
A chance de ver ainda alegre
Quem hoje se foi ferida.
Danielly Melo
sexta-feira, 30 de julho de 2010
terça-feira, 20 de julho de 2010
Saudade
Eu morri. Alguém para me enterrar?
Saudade mata e esqueceram de avisar.
Ou melhor, avisaram, enganaram, disseram que ia passar.
E essa dor infeliz no corpo, nos olhos, na alma, o que é?
É isso que chamam saudade?
E quem é o louco que espalha ensandecido
Esse boato maníaco que não é letal a dor da falta?
Sim, acredite amigo, esse bicho mata!
Mata, maltrata e a vida ameaça.
Saudade é como uma picada de mosquito:
Coça, inflama, incomoda, arde e fere
O bicho suga o sangue e o espírito
Mas, não, não desespere!
A picada passa, vai embora, às vezes deixa a marca
A pele volta, reage, acorda da ressaca.
Saudade assassina a vida
Mas quem disse que a dor não a ressuscita?
Saudade sem razão é órfã, é morta
Mas pulsa ainda sangue na aorta
Saudade é meu cérebro, meu coma
And I still miss you, mesmo em outro idioma.
Portanto,
Me enterrem, fechem minha cova,
Cavem fundo essa terra de ninguém
Não quero da saudade nem seu último vintém
"Gravedigger, when you dig my grave
Could you make it shallow so that I can feel the rain?"
Danielly Melo
Saudade mata e esqueceram de avisar.
Ou melhor, avisaram, enganaram, disseram que ia passar.
E essa dor infeliz no corpo, nos olhos, na alma, o que é?
É isso que chamam saudade?
E quem é o louco que espalha ensandecido
Esse boato maníaco que não é letal a dor da falta?
Sim, acredite amigo, esse bicho mata!
Mata, maltrata e a vida ameaça.
Saudade é como uma picada de mosquito:
Coça, inflama, incomoda, arde e fere
O bicho suga o sangue e o espírito
Mas, não, não desespere!
A picada passa, vai embora, às vezes deixa a marca
A pele volta, reage, acorda da ressaca.
Saudade assassina a vida
Mas quem disse que a dor não a ressuscita?
Saudade sem razão é órfã, é morta
Mas pulsa ainda sangue na aorta
Saudade é meu cérebro, meu coma
And I still miss you, mesmo em outro idioma.
Portanto,
Me enterrem, fechem minha cova,
Cavem fundo essa terra de ninguém
Não quero da saudade nem seu último vintém
"Gravedigger, when you dig my grave
Could you make it shallow so that I can feel the rain?"
Danielly Melo
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