
A mãe amava seus trigêmeos, não exatamente da mesma forma, lógico, pois eram criaturas diferentes e não se pode amar desiguais de forma igual. Amava-os desigualmente. Porém de forma proporcional. Imenso seu amor pelos três. Só não entendia como conseguia confundir ainda a própria cria. Atrapalhava-se com os nomes sempre achando que até entre eles não se sabia quem era quem.
Enganava-se a mamãe amorosa. Não há no mundo ser que se confunda. Que ache que é, mas que não é. Que ache que pode, mas que não pode. Que ache que sente, mas que não sente. Há quem minta. Ah, isso sim! Mas entre os trigêmeos não havia confusão. Não. Entre eles tudo era às claras. Insegurança sabia bem quem era, conhecia suas falhas. Imaturidade não gostava muito do lance de se avaliar, achava perda de tempo e muito dispendioso o autoconhecimento, mas não se embananava. Que dizer então de FilhaDaPutagem? Bem, essa aí, nascida primeiro, era a líder da turma. Segura, madura e experiente. Com ela não havia enganos, a não ser os propositais.
Ou vai dizer que você pensou que a mamãe era a megera que nem os filhos distinguia? Não. A mãe era a boba da corte, que aplaudiu de pé os tropeços e artimanhas de sua primeira filha enquanto julgou e culpou a lamúria dos outros dois. A primogênita, nata artista, se fazia passar pelos consangüíneos. Tomava vantagem da inocência de Insegurança e justificava suas vicissitudes fingindo ser Imaturidade. Mas que esperta essa tal de FilhaDaPutagem!
A quem será que puxou? Ao pai talvez... Ou será que é só mais um fruto perdido da mamãe Insensatez?
(Danielly Melo)