terça-feira, 9 de março de 2010

Pega-ladrão não! Pega-vizinho!

É, a brincadeira hoje é diferente. Na minha época de escola brincava-se de “pega-ladrão”. Um dos componentes era escolhido como alvo e perseguido como ladrão pelos outros. Ele tinha que correr, se esconder e fazer de tudo para não ser pego. Mas os tempos modernos chegaram. Hoje não se persegue mais ladrões. Bom mesmo é prender vizinho. E não se espante com o trocadilho com ladrão, porque parece ser assim mesmo que a brincadeira “cão e gato” enxerga o morador do seu prédio, condomínio ou bairro. Ele é um ladrão! Rouba seu silêncio, sua paz, seu comodismo e sua atenção. Você passa a viver em função da vida do ladrão. O que o ladrão está fazendo hoje? E essa zoada, o que é? Ele tá cortando cebola? Mas uma hora dessas? E agora? Isso é a descarga? Nossa, mas é a terceira vez seguida já! Será que o ladrão está com dor de barriga? E porque ele se levanta tanto no meio da noite para abrir a geladeira? E precisa mesmo ligar a torneira pra lavar o copo de madrugada? Ai, ele acorda cedo demais e já vai bater carne, que saco!
Sim... Que saco! Imaginem vocês que, de repente, não mais que de repente, esse ladrão tenha também a vida dele. Que acorde cedo e vá bater carne porque trabalha o dia todo e precisa levar o almoço do seu filho, ou do companheiro(a) já pronto pela manhã. Que chega tarde e vai cortar cebola porque aquela é finalmente a hora que ele pode jantar, que abre a geladeira a noite porque sofre de insônia e, convenhamos, também sente fome, que dá descarga a noite porque é uma pessoa higiênica e que, sim, às vezes ele tem dor de barriga. Que lava o que suja a noite por não ser muito chegado a baratas. Enfim, ladrões roubam e vivem. Mas e então meus caros, foi muito difícil imaginar?
Pois bem, voltemos à realidade. Você, com certeza, tem um ladrão e é um. Digo, vizinho. Certo? Você tem se preocupado muito com a vida dele? Presta atenção em quantos passos ele dá para terminar de subir a escada? Sabe qual a marca do chinelo que ele está usando hoje? Sabe a hora que ele sai e entra em casa? Incomoda-se com sua risada? Seu vizinho é gordo, pesado e anda muito pelo apartamento dele, incomoda? Seu vizinho é bonito, solteiro, sai à noite e usa salto alto, incomoda? Mesmo que ele desça os degraus descalço até a porta do condomínio? Seu vinho é inteligente, bem articulado e quando fala com você sempre tem seus argumentos, incomoda? Seu vizinho é feliz, tem amigos, faz churrascos, conta piadas e sorri demais, incomoda?
Façamos assim, vou encurtar a leitura e me propor a perguntar o que, no seu ladrão, não incomoda, ok? E aí? Pensou em alguma coisa? Não consegue, não é? Até a voz do seu vizinho incomoda! Isso é porque elefantes incomodam muita gente. Vejamos quem são nossos elefantes. São animais de grande porte que, por alguma razão, desviam a sua atenção de sua própria vida para a vida dele. Deixe-me dar uma sugestão: quando elefantes começam a incomodar você precisa tomar uma atitude, certo? É sabido que esses grandes animais tem medo de ratos, mas é pouco higiênico tentar ser um. Também não curtem muito as formigas, mas você não quer ser pisoteado, quer? Bem, amigo, faça o seguinte, compre um gato!
Isso mesmo, um gato! Gatos tem muitas vidas, fora a sua e de sua família, serão muitas para você se ocupar. Multiplique essa quantidade de vidas pelas horas gastas com atenção para cada uma delas. Agora repare que seu dia só possui 24 horas. Percebeu? Você ocupou seu tempo com a aquisição de um simples animal, parabéns! Algumas soluções simples podem mesmo mudar a vida de alguém, concorda?

E viva as diferenças!

(Danielly Melo)

sexta-feira, 5 de março de 2010

Minha infância Kaká

E onde moram as memórias?
Escondidas nas lembranças?
Lembrei de que?
Lembrei da minha amiga, minha inseparável,
Minha linda, minha doce ânsia...
Lembrei dela... Ah, a minha infância!

Infância e eu ficamos juntas até os 14 anos.
Nossa, 14 anos... meus melhores dias.
Minhas lembranças mais fundas,
Minhas opiniões sempre tão arredias.

Queria voltar.

Aos 14 anos infância me deixou...
Foi embora pra bem longe
E desde então nunca mais vi.
Foi-se aos prantos e nas lágrimas
Levou pedaços grandes de mim

Mas ela foi e deixou maturidade,
Que substituiu com propriedade
Esse espaço gigante que infância deixou.
Deixou saudade.
Saudade de nossa puberdade.

E hoje infância me manda um email,
Dizendo que quer lembrar sem medo,
Das lembranças que a fazem sorrir e também chorar...
Diz que quer para sempre me admirar

E eu respondi que não importa o tempo,
A distância ou a falha memória...
Construímos já a nossa história.
Importa mesmo o quanto eu vou amar,
Até enquanto viver, e puder lembrar
Da minha amiga, minha infância, da Kaká.

(Danielly Melo)