segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Vamos juntos pra Pasárgada
Pasárgada é canto longe
De lá ninguém me vê
E vamos só de ida
Viagem assim não tem volta
Deixo aqui minhas muletas
Uso sua cadeira de rodas
É lá que eu vou morrer
Enterrar as minhas letras
Acho um louco pra viver
E você suas ninfetas
Passe aqui pra me buscar
Vou juntar um mói de livros
E de roupas pra levar
Mas não me deixe aqui
Viaje não sem mim faça o favor
Porque aqui eu vou fenecer
Sofrer de tanta dor
Esse lugar não tem minha cura
Aqui eu não pertenço
Me tire da agonia
De achar que já não penso
Vamos juntos pra Pasárgada.
Daniell y Melo)
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Morreu a música...
Pulou bastante o carnaval?
Sonorizou o bacanal?
Se escondeu num manguezal...
Contaminada vem voltando.
Está doente minha música, não é mais assim tão pura.
E desespero pela cura.
Mas disseram-me não haver remédio,
e que a música vai mesmo morrer de tédio.
Por favor, chamem um médico!
Preciso mesmo gritar?
Música tá morrendo... E é de tanto se escutar!
Acalma-te minha amada,
isso que ouves não é zoada.
Ambulância está a caminho, a sirene denuncia.
Vem vindo aí um passarinho para findar tua agonia.
Seu doutor, em boa hora chegastes.
Faça o favor, a esperança,
de me dizer que música ainda hoje se levanta.
Que ela mal respira,
mas vai já ali comigo tomar uma birra.
Eu sinto muito, moça!
Sua amiga música já passou pra outra.
Pandemia foi contida, mas música igual ou parecida,
nunca mais vai ser ouvida.
Mas doutor, meu mundo agora desmantelou.
Acabou-se a massagem dos ouvidos, o passeio da imaginação,
acabou até a cura dos feridos e o sentido da paixão.
Beberei a morte de quem me acalentou.
Tanto cantou e me ninou.
Esperar que a ária de novo se faça,
para trazer de volta a graça.
Aos palcos, bailes e muitos bares que reuniram um dia
A melodia em garrafas e em som de alegria.
E o silêncio é o meu copo oco.
Enxergo o fundo do futuro incerto,
de mais uma noite de dor e torpor.
Garçom, traga mais uma, por favor!
(Danielly Melo)
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Quem somos
Tem verbo, adjetivo... Tem livro, tem filme, tem comida, tem frase, tem roupa e cor que me definem. Até letra! Tenho letras que me definem. E as pessoas comentam que somos o que comemos, vestimos, dizemos, bebemos, fumamos... Bla, bla, bla.
Mas percebi que sempre que me perguntam quem eu sou eu dou respostas diferentes. Nunca sou a mesma coisa. Seria isso um traço de dupla personalidade? Poxa, logo eu. Nunca quis ser "DOIS" sempre almejei o "UM".
Bem, o fato é que dia desses minha amiga me perguntou se eu era "uma mulher ou um big-big de morango". Tentava me desafiar a ter postura e coragem para alguma coisa bem legal, mas que não me recordo agora (juro). Eu, lógico, disse que não era big-big coisa nenhuma. Podia até ser uma bala xaxá, da de banana, se fosse o caso (ressurgiu das cinzas, inclusive), mas nunca um mero big-big. Aquele chicletinho? Não, nunca. Sai até o gosto fácil.
Bem... Aí os dias passaram, vinha caminhando de volta para casa tentando fazer nova definição de mim mesma, eu não canso disso. Pensei, pensei, e olhe que pensar enlouquece. Pense! E foi quando percebi que não passo mesmo é de um mero chiclete Ploc. Velho, ultrapassado, pregado em alguma carteira de escola, que já foi a alegria de muitos, mas que nem estoura mais.
Ih... espera, grudou no teclado aqui. Hum, gosto de menta!
Pow!
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Hipócritas...
(Danielly Melo)
CARTA
Eu e Vento vamos indo... Depois que Talento ficou com Criatividade, fiquei arrasada, mas dei a volta por cima. Você me conhece, sabe que eu não gosto de Drama. Bom, já estou me prolongando demais, daqui a pouco tô igual a Retórica, falando pelos cotovelos, ela e Fofoca são terríveis! Olhe, mande um beijão para Lembrança, diga a ela que ainda tenho aquelas Memórias que ela me deu, viu? Eu vou indo porque Despedida já tá me chamando. E avise a Medo que esse negócio de ter Adjetivos já tá ultrapassado, o negócio é Substantivo agora. Um xero grande. Fica com Deus.
Da sua amiga,
Fé.
HÃ? MUDANÇA ORTOGRÁFICA? QUANDO? COMO? E ISSO JÁ TÁ VALENDO?! VIXE!!!
Que saudades...
Para onde foi a minha madre língua portuguesa? O que fizeram com ela? Que farei das minha linhas? Terei que reformulá-las? Esses tempos modernos me matam! Não se desfaz de coisas assim tão facilmente. Eu não consigo. Já sei! Vou guardar os originais, mostrar aos meus netos como era ser uma amante da escrita analfabeta.
Quanto ócio...
Mas que palhaçada, gramáticos de plantão! Não deu mesmo para se divertir o suficiente mudando dia e noite as normas da ABNT? Poxa, inventem outro joguinho aí... Sei lá... Abram discussões incessantes sobre as origens semânticas dos nomes de, de... De plantas, pronto! Qual a origem da palavra catástrofe, mesmo?
Eita, eles me ouviram...
Silêncio! Eles estão em reunião, em assembléia (esse computador está desatualizado, teimando em colocar o acento no ditongo) sobre “o que fazer com a nossa falta do que fazer”. A resposta à pergunta deve ter vindo da mulher que estava por ocasião servindo o cafezinho. Aí ela disse: “por que vocês não mudam o tempero?” “Como assim?” Indagou um dos ociosos estudantes de coisa alguma. E a mulher respondeu: “eu, por exemplo, sempre que posso coloco um pouco de rapadura para adoçar o café, depois volto a usar o açúcar, e às vezes ainda troco por adoçante...”
Hã?
Ninguém da Távora redonda da vadiagem havia entendido os sábios ensinamentos da Dona do cafezinho. Após dias de averiguação os inativos do saber chegaram à conclusão que a Dona do cafezinho lhes passara uma mensagem sublimar ultra-secreta (com ou sem?). A charada fora resolvida e entendida da seguinte forma:
Abre aspas...
“Encontrada a solução que nos liberta do tédio incessante, entendemos que devemos a partir desta data sacanear os amantes da leitura e escrita e trocarmos algumas das regras já estabelecidas há muitos anos. Percebemos também que proporcionaremos assim uma profusão de confusões incomensuravelmente prazerosas que nos farão delirar de gargalhadas durante muitos prelúdios. Cavalheiros, declaramos que o ócio à que estávamos condenados termina mediante esta data sublime que revolucionará a história... Ou seria estória? Não, não... Me lembrei agora, essa aí a gente mudou faz tempo.”
Fecha aspas...
(Danielly Melo)
Por um mundo mais INHO
Esse mundo tá muito ÃO, Bastião. Sufixo chato, que só traz coisa ruim, grande e com exatidão. Traz futuro e as coisas que acontecerão. Cheio de destruição, explosão, indecisão. E é todo negativo, porque até no 'não' ele se enrosca. Chega carente, passivo e na sua vida faz roça. Mas é disso que o povo gosta. Multidão gosta mesmo de ÃO, né não? Mas eu queria o mundo mais INHO. Queria era um pouco de carinho no lugar da chateação. Queria colinho quando sentisse depressão. Queria um redemoinho, pra varrer daqui a corrupção de colarinho. Queria tanto um passarinho, pra cantar devagarinho e espantar decepção. Queria um selinho, pra acordar da ilusão. Quero é muita água pra lavar esse Sertão.
Mas e se eu juntar o ÃO com INHO?
Sim, porque em terra de Ronaldinho e Robinho também mora Sebastião. Tem as piadas do Joãozinho e escapadas do Ricardão. Tem o menino Maluquinho e toda sua diversão. Estaria a imensidão azul de pé se também não existisse o José? Ficaria difícil para o Drummond falar que a festa acabou e perguntar de supetão: E AGORA JOÃO?