quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

HÃ? MUDANÇA ORTOGRÁFICA? QUANDO? COMO? E ISSO JÁ TÁ VALENDO?! VIXE!!!

Ah, a desocupação! Nada como ter absolutamente nada para fazer. Nada novo para dizer, nada para criar, só transformar. Tanta coisa por aí que ainda não foi descoberta ou mesmo inventada. Eu, por exemplo, sinto falta de um pára-brisa para óculos (será que é assim que se escreve agora?). Seria prático ter uma sobrancelha mecânica para os nossos olhos de vidro, não é mesmo? Poxa, por que ninguém inventa isso? Cadê esse povo? Tudo perdendo, ou melhor, passando o tempo recriando o que já está criado. Ei, recriando agora tem hífen? Nossa, que chato... Como vou saber se hoje uma palavra tem acento e amanhã já perdeu? Já é sem acento agora, né? Ai, ai, me confundiu toda, difícil esse negócio... Enternecedor, cômico, trágico.
Que saudades...
Para onde foi a minha madre língua portuguesa? O que fizeram com ela? Que farei das minha linhas? Terei que reformulá-las? Esses tempos modernos me matam! Não se desfaz de coisas assim tão facilmente. Eu não consigo. Já sei! Vou guardar os originais, mostrar aos meus netos como era ser uma amante da escrita analfabeta.
Quanto ócio...
Mas que palhaçada, gramáticos de plantão! Não deu mesmo para se divertir o suficiente mudando dia e noite as normas da ABNT? Poxa, inventem outro joguinho aí... Sei lá... Abram discussões incessantes sobre as origens semânticas dos nomes de, de... De plantas, pronto! Qual a origem da palavra catástrofe, mesmo?
Eita, eles me ouviram...
Silêncio! Eles estão em reunião, em assembléia (esse computador está desatualizado, teimando em colocar o acento no ditongo) sobre “o que fazer com a nossa falta do que fazer”. A resposta à pergunta deve ter vindo da mulher que estava por ocasião servindo o cafezinho. Aí ela disse: “por que vocês não mudam o tempero?” “Como assim?” Indagou um dos ociosos estudantes de coisa alguma. E a mulher respondeu: “eu, por exemplo, sempre que posso coloco um pouco de rapadura para adoçar o café, depois volto a usar o açúcar, e às vezes ainda troco por adoçante...”
Hã?
Ninguém da Távora redonda da vadiagem havia entendido os sábios ensinamentos da Dona do cafezinho. Após dias de averiguação os inativos do saber chegaram à conclusão que a Dona do cafezinho lhes passara uma mensagem sublimar ultra-secreta (com ou sem?). A charada fora resolvida e entendida da seguinte forma:
Abre aspas...
“Encontrada a solução que nos liberta do tédio incessante, entendemos que devemos a partir desta data sacanear os amantes da leitura e escrita e trocarmos algumas das regras já estabelecidas há muitos anos. Percebemos também que proporcionaremos assim uma profusão de confusões incomensuravelmente prazerosas que nos farão delirar de gargalhadas durante muitos prelúdios. Cavalheiros, declaramos que o ócio à que estávamos condenados termina mediante esta data sublime que revolucionará a história... Ou seria estória? Não, não... Me lembrei agora, essa aí a gente mudou faz tempo.”
Fecha aspas...

(Danielly Melo)

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