Quem são os hipócritas? Aquele famoso clichê "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço" é quase uma reza diária. Falastrões, opiniosos e cheios de moral. Todo hipócrita acha que detêm a chave do conhecimento e que está sempre certo, justo e impecável. Ele tem a força! Eu até os invejo porque, poxa, eles não cometem erros. Fazem e dizem tudo sempre certo, na hora e lugar certos. Eles são os caras! Geralmente chatos, pois - como eu disse - ninguém consegue se equiparar ao limiar de exatidão de um hipócrita, suas conversas com seres aparentemente normais não conseguem ultrapassar a barreira dos segundos. Exagero. Algumas vezes até passam minutos conversando. Caso raro. O que gostam mesmo é de monólogos. Nossa, como falam sozinhos! Sentem um prazer enorme em escutar a própria voz. Deve soar como Beethoven. Imaginem ter uma sinfonia dessas só para você? É, esses caras sabem se divertir. Mas eu sei de algo que eles detestam. Vou contar. Eles odeiam escutar. Nunca fale próximo a um hipócrita, fere muito os ouvidos, como uma pequena barata batendo as asas a ponto de estourar seus tímpanos. Isso deve doer. Sei também que eles odeiam as ciências exatas, estudam Demagogia. É, porque eles são cheios de verdades. “A verdade é que...” ou “bem, na verdade...”. Quando você quiser ouvir uma verdade fale com um hipócrita. Ele não falha. Eles conhecem todas as verdades, até as que não existem. Falando nisso... É verdade que quem nasceu primeiro foi a galinha? Bom, mas o fato é que esse pessoal sabe viver. Eles não são muito sociáveis, não têm muitos amigos, aliás, esse negócio de amizade, confiança e coisas do tipo não é muito a praia deles. Você pode até está pensando “mas quem é você para escrever isso?”. Bom, eu não sou ninguém, mas conheço hipócritas. Vai dizer que você não conhece um? Sei um pouco sobre eles. Eu odeio hipócritas, odeio o comando que eles acham que têm sobre o mundo e as pessoas, odeio o jeito como se sentem os donos das “verdades”. E se a leitura disso aqui incomoda é porque algumas “verdades” devem doer e, talvez, isso faça de mim uma irremediável hipócrita. Mas será que sou só eu?
(Danielly Melo)
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