E a vida cutuca, labuta
Assobia os últimos alentos
Capenga se deita, descansa
Já não ouve, não fala, não vê
Reagir já não pode e, ao meu ver,
Deitada no leito, ela apenas dorme
Puxa o ar sem pressa, com força
E toda vez que inspira assusta
E quando expira alivia a luta
O ar que vai e não sabe se volta
Traz aos espectadores a revolta
De nada poder fazer ao certo
Somente assistir ao seu rosto
Pintar-se lentamente de amarelo
E aos poucos sopros se vai à sorte
Vai Laurita, abraços à Tieta!
Vai no leito, a dor no peito
Vai a boneca, os cabelos, os dedos
Vai mais essa avó para o colo da morte.
E à morte eu imploro
Que dela cuide, nine e alimente
Dê outra história a esse pulmão doente
Agradeço a ela e ao acaso da vida
A chance de ver ainda alegre
Quem hoje se foi ferida.
Danielly Melo
Nossa, que lindo! Não tenhas dúvida de que ela foi levada a um local de incomensurável esplendor. Grande abraço Dany.
ResponderExcluirObrigada, meu querido. Essa dúvida também não tenho.
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