terça-feira, 4 de maio de 2010

A mão invisível

O que é pior? Acreditar na mão invisível do liberalismo econômico ou sair por aí tentando convencer as pessoas de que, segundo o falecido e, portanto, invisível George Carlin:

"There's an invisible man living in the sky who watches everything you do, every minute of every day. And the invisible man has a special list of ten things he does not want you to do. And if you do any of these ten things, he has a special place, full of fire and smoke and burning and torture and anguish, where he will send you to live and suffer and burn and choke and scream and cry forever and ever 'til the end of time! But He loves you"

Uau! E aí? E olhe que eu nem sei se fiz mesmo a pergunta certa. Talvez o termo correto nem fosse “pior”. Poderia usar “cômico”, mas isso ainda sem descartar o “trágico”. E trágico mesmo é o fim de quem acredita. ACREDITAR. Segundo o Aurélio, ter fé, crer em alguma coisa. Pra mim, cegar-se de certezas. Exatamente aquelas mais desconhecidas. São estas mesmas, estas que você não pode ver ou tocar. Estas são as certezas de um cego que acredita.

Feche os olhos. O que vê? Nada? Escuro? Defina. Vamos, tente... Impossível.

Nasce aí o verbo. O verbo acreditar, que na gigantesca história da humanidade se resume a um monossílabo de forças descomunais. Uns dizem que ele move montanhas. Outros que sem ele nada é possível. Há quem diga que o bicho causa cegueira, ou mesmo alienação. O monossílabo até guerra causa e é o único que no fim dela acredita. É aquele que é bom se ter guardado numa caixinha de cacarecos, sempre atrás do armário.

Duas letrinhas que mesmo no alfabeto vêem lado a lado. Como se não existisse razão de ser se vivessem cada um no seu quadrado. O “fê” e o “ê”. Aqui no Nordeste: o “éfe” e o “é”. Importa mesmo é o estrondo que a bomba faz quando colocamos o número 3 dando as costas para quem vem antes do ponto, ou melhor, da letra G: FÉ!

Fé em que?
Fé na vida!

(Danielly Melo)

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