E na Rua Escura, ali na praça, no bar do Estrangeiro
Vi uns olhos negros e um sorriso belo cheio de graça
Vi a mocidade, vi papo vai, papo vem
Vi-me de imediato num tal de querer bem
Afinidade de longe, rápida e cruel
Que trouxe a ilusão de colocar Lil’Devil uma vez no céu
Mas o “céu está caindo, o céu está caindo”
Disse o Chicken Little certa vez
Desmoronou mesmo ali, na praça
E deu vontade de fazer pirraça com a própria desgraça
Mas aborrecimento foi contido e cinismo nem surpreso estava
Fez cara de mesmice, achando tudo uma chatice
Saiu, pisava forte, fugiu da praça
Mas that black eyes ainda fitavam
Impediram a fuga e para a praça retornaram
Estavam agora sentados e, de novo no papo vai, papo vem
Os olhos se encontraram tentavam e tentavam
Mas não se decifravam. Liam-se, confundiam-se
E se o sorriso não mais aparecia, os olhos negros eram globos letais
Não se apertavam, tinham forma assustada demais
E, sem roupa, se justificavam e juravam ser reais
A chuva precipitou e da praça os afastou
Decidiram pôr distância na vontade que trazia ânsia
A mesma que uma vez escapou “da boca de um cardíaco”
A mesma que traria, quem sabe, a “repugnância”
E Lil’Devil percebeu que não adiantava
Que seu pedido o garçom nunca acertava
“10.000 colheres quando tudo que você precisa é uma faca”
Uma faca pra rasgar o trevo, perfurar o nervo
Cortado o pulso que já não pulsa
Resta ao verme o trabalho de roer os olhos,
Sim, aqueles olhos negros!
Verme vai comer, roer e vai deixar só os cabelos
E a diaba que sonhou com Anjos vai acordar do pesadelo
E assistir à própria quimera, mas ela?
Ah... Ela já é acostumada à lama que sempre a espera.
Pois o Augusto que ela queria mora longe
É de terra arredia. Mora sozinho numa a casa
Muito engraçada, sem teto, sem nada
Serve ela de abrigo fúnebre desses versos iludidos
Guarda ela os segredos, “os versos íntimos”, “os tempos idos”
Essa casa keeps everything
Guarda tudo isso que é muito ironic, don’t you think?
(Danielly Melo)
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