Perdoem-me a falta de manifestação feminina e feminista em favor do Dia Internacional da Mulher. Confesso que estive ocupada, desligada, desinteressada do tema até pouco tempo. Foi então que, aos vários pingos d’água, debaixo do chuveiro quente, me veio à memória uma espécie de repente. Mas hoje não me dou por rimas. Só quero contar. Quero falar do meu “muito obrigada”, mas também dizer do meu “e daí”. Muito obrigada pelos elogios e conclames de congratulações. Obrigada a lembrança, obrigada o carinho, o reconhecimento e a reverência. É... Mas também, e daí? E daí se você ama mulheres, admira nossa capacidade e comemora nossa evolução? E daí se você enxerga que somos lindas de alma e temos pernas para grandes passos e podemos sim pensar sozinhas? E daí, colega? E D-A-Í?
Não me leve a mal, não é falta de agradecimento. É que olhando assim de longe eu percebo a empolgação de quem fala aos quatro cantos do amor exacerbado, desse respeito redobrado por nós meninas, mulheres, fêmeas de sorte, mas noto também que não se dão conta do próprio papel. Acostumamos-nos a idolatrar as mulheres sob a condição de humilhar os homens. Tanto que, mesmo em face de um galanteio, os machos são remetidos a imagem de uma grande mulher, sempre por trás de seus atos nobres. Como se a comunidade masculina não fosse capaz, por si só, de cometer bravuras. Nós somos é sortudas. Digo que somos sortudas porque acredito que o ditado que durante tanto tempo foi habitual entre nós está na verdade invertido. Por trás de um grande homem nem sempre se esconde uma grande mulher. Não. Ela muitas vezes é minúscula, pequena em suas decisões, uma ervilha no canto de parede que nada mais faz que se “esconder” atrás daquele que ela vê e julga grande, maior, melhor. E ainda bem que existe a evolução, não é? Ufa!
Pois então... Invertido! Esse ditado está contrário, meus caros. É um grande homem que está sempre atrás daquela gigante mulher que nós admiramos. Só um grande homem consegue sustentar o peso da coroa de sua rainha cansada. Que para dormir deita seu tesouro na cabeceira e esquece-se de polir. Azafamada, cheia, atarefada. Sua cabeça está lotada do que terá pela manhã. Vai dormir sem beijar seu príncipe, acorda e esquece do banquete que ele preparou. Seu banho de ervas fica para depois e o penteado hoje pode ser uma peruca. Ainda assim grande. Linda, majestosa, firme, versátil, fugaz. E o homem? Onde está? Está parado, meus caros. Parado olhando aquela mulher enorme tirar sua coroa, deitar sua peruca, estalar os dedos calejados dos pés e dormir silenciosa como neve. Parado a admirar a força de quem termina o dia e tem fôlego para o olhar e dizer: “Boa noite, amor, obrigada por me aguentar”.
Esse sim é um homem gigante. Suporta, supera, sustenta, aguenta. Em um homem assim deitamos, rolamos, fazemos ninho só porque sabemos que a base é forte, nos ancora. E isso, meus caros, nada mais é que um exemplo de evolução da espécie. O macho vai atrás do que lhe cabe. O que ele ama ele quer por perto, então ele cresce, olha sua mulher nos olhos, não se põe nas pontas dos pés, porque sabe que se ela tropeçar ele os tem firmes no chão para ampará-la. É, meus caros, os tempos mudam, mas o Sapiens se adapta, percebe que seu habitat mudou, sua mulher cresceu, agigantou e ele, por amor, acompanhou. Isso enfim é o louvor, o confete que queremos.
Obrigada, homens!
(Danielly Melo)
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