terça-feira, 8 de junho de 2010

Se você pudesse... Mas você não pode

Porque se você viesse
E a chance me desse
De falar desse romance
Que veio assim de um rompante
Como se ele não ferisse
Os versos sólidos da Clarice
Ah, se você me entendesse
Ah, se você não morresse

Porque se você quisesse
Mostrar ao mundo a sua força
O seu amor que diz sentir
Sua lealdade tão sem fim
Fazer abrolhar o óbvio
Sem precisar usar seu ópio insólito
Ah, se você merecesse
Ah, se você me lesse

Porque se você pudesse
Mesmo ser onipresente
Onisciente e onipotente
E no seu devaneio me fitar
Fazer prelúdios pra mim
Quando eu precisasse, aí sim
Eu sentiria sua presença
Amaria-te sem licenças
Ah, se você pudesse
Ah, se você quisesse

Mas para o lado eu vou olhar
E não vou te descobrir
Os olhos no céu vão te procurar
Tens mesmo que partir?
Sensação de ser Tomé
Tomada com a falta de fé
De achar que a vida é um breu
E que morreu esse tal de Deus.
E aqui estou eu a escrever o meu afeto
Para um cético defunto analfabeto

Ah, se você soubesse
Ah, se você existisse
Ah, se você descesse
Ah, se você notasse
Ah, se você me amasse

E onde você foi parar, meu Deus?
Seu cuidado já não sinto
Seu calor me congelou
Sua neve derreteu
Seu amor, você, Prometeu
Meu fígado corroeu
Rezo agora para que Zeus
Chacine minha sede num só gole
Porque se você pudesse, Deus...
Mas matar você não pode.

“I’ll see you next Sunday”

(Danielly Melo)

Um comentário:

  1. Ah, se eu não acreditasse
    Aí não teria que escrever
    Saberia que você não iria ler
    Mas ainda não tenho coragem
    De dizer que perdi a esperança
    A fé e a confiança...
    De dizer que não existe esse
    Homem, esse bicho, esse sonho meu
    Que aprendi ainda criança a chamar de Deus.

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